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Somos um grupo de jovens musicólogos, mestrandos e doutorandos do CESEM (FCSH - UNL).

Este blog é um espaço de divulgação do nosso trabalho e interesses de investigação procurando, desta forma, promover a troca e partilha de ideias on - line, num diálogo e comunicação abertos sobre música e musicologia, a todos os colegas musicólogos portugueses e estrangeiros, que se nos quiserem associar.

Os seminários "Ciclo das Quintas", realizados todos os meses no CESEM, são comunicações apresentadas a todo o grupo SFA, com o objectivo de nos familiarizarmos com o formato de apresentação em futuros colóquios ou congressos.

02/06/09

Sessão de Junho de 2009

3 de Junho

JOÃO PEDRO CACHOPO

Perspectivas contemporâneas sobre o “caso Wagner”
(Badiou e Zizek em torno de Parsifal)

Mais do que qualquer outra no campo da ópera, a obra de Wagner tem despertado o interesse de filósofos tão diferente como Nietzsche, Adorno, Lacoue-Labarthe, Badiou ou Zizek – um interesse nem sempre dissociável de tomadas de posição extremas, ora incondicionalmente favoráveis, ora arreigadamente críticas, uma obsessão fértil, dir-se-ia, que permanece acesa, mais de um século após Der Fall Wagner de Nietzsche, no debate filosófico contemporâneo. A constância do leitmotiv filosófico que Wagner veio a constituir presta-se ao levantamento de um conjunto de questões.
A primeira decorre simplesmente da constatação da excepcionalidade do dossier Wagner: (1) por que razão há, afinal, um “caso Wagner” em filosofia? A esta pergunta – cuja resposta inicial, necessária mas insuficiente, tende a elencar as condições de facto do caso (a polémica entre Nietzsche e Wagner, o contexto político e ideológico na Alemanha...) – importa acrescentar uma outra – que mais não é senão uma reformulação da primeira – que reelabore o problema de jure. Ou seja, por mais exaustiva, certeira e pertinente que seja a explicação do “caso Wagner”, esta explicação, em si mesma, não explica por que razão a obra de Wagner, e não a de outro compositor, se transformou num “género filosófico”. A segunda questão é, portanto, concomitante com a formulação da hipótese segundo a qual o “caso Wagner” foi e permanece historicamente necessário: (2) de que forma, portanto, foi necessário que Wagner se transformasse num caso filosófico e em que medida permanece este hoje pertinente? Desta questão decorrem pelo menos mais três. (3) Qual o sentido e a consistência do bloco crítico representado pelas posições nietzschiana e adorniana a respeito da obra de Wagner (em particular, trata-se de questionar se elas são convergentes ou divergentes e em que medida)? (4) Qual o sentido do ressurgimento do debate na obra de Lacoue-Labarthe e, mais recentemente, no trabalho de Badiou e Zizek? (5) De que forma as novas leituras reiteram ou colidem com diagnósticos de Nietzsche e Adorno?
*
É sobre o pano de fundo deste work in progress que pretendemos interrogar as leituras recentes que de Parsifal propuseram Badiou e Zizek, procurando identificar as condições de uma releitura política da obra derradeira de Wagner, recusando quer a condenação sumária do seu carácter politicamente reaccionário, quer a estratégia que consiste em escamotear o teor político da obra de Wagner (como única forma de poder valorizá-la), insistindo numa separação ideológica entre estética e política.

Palavras-chave: Wagner, Parsifal, Badiou, Zizek, política, religião, estética





Links com as conferências de Badiou e Zizek sobre Parsifal:

"Quel est le vrai sujet de Parsifal ?" (Badiou)
http://www.diffusion.ens.fr/index.php?res=conf&idconf=1248

"Parsifal, une pièce du théâtre didactique brechtien" (Zizek)
http://www.diffusion.ens.fr/index.php?res=conf&idconf=1249

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